A vida nas águas das montanhas
Desde 1997, vem sendo realizado um inventario sobre biodiversidade nas cabeceiras dos rios do Parque Nacional da Serra do Cipó. Esse estudo servirá para fundamentar políticas de a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), e José Francisco Gonçalves Júnior, do Programa de Pós – Graduação em Ecologia, Conservação e Manejo da Vida Silvestre da UFMG.
A serra do Cipó é uma região motanhosa no centro de Minas Gerais, que engloba grande número de córregos e riachos com águas límpidas e frias. A serra é um divisor de águas onde, de um lado nascem rios das cabeceiras do rio Doce e de outro, rios das cabeceiras do rio São Francisco. A vegetação predominante é do cerrado na faixa de altitude entre 700 e 1000m, campos rupestres acima de 1000m e matas ciliares nas margens de rios.
O Laboratório de Ecologia de Bentos, do Departamento de Biologia Geral da Universidade Federal de Minas Gerais, desde 1997 vem estudando as cabeceiras de rios no Parque Nacional da Serra do Cipó. O principal objetivo é inventariar a biodiversidade aquática das águas na região. Sua qualidade é avaliada pela medição de parâmetros físicos e químicos (temperatura, oxigênio dissolvido, turbidez, condutividade elétrica, alcalinidade total, teores de nutrientes) e biológicos (fitoplâncton, zooplâncton, microrganismos e bentos). A partir do levantamento desses organismos e conhecendo as condições ambientais necessárias para a sua preservação ou de poluição dos corpos d’água, pois sua presença está associada a ambientes aquáticos de ótima qualidade.
A coloração dos rios na serra do Cipó varia de transparente a escura (cor de cha-mate), devido á presença de compostos húmicos (ácidos húmicos e fúlvicos) resultantes da decomposição incompleta da matéria orgânica oriunda da vegetação terrestre adjacente.
Os Limnólogos – profissionais que estudam a ecologia dos ambientes aquáticos continentais – consideram essa característica importante para o metabolismo das algas diatomáceas, que crescem aderidas ás rochas e ao cascalho no fundo dos rios. Essas plantas são, provavelmente, as principais produtoras primárias autóctones da serra do Cipó. Isso significa que realizam fotossíntese para obter energia e servem de alimento para outros organismos das cadeias alimentares aquáticas locais.
As nascentes existentes na serra são exemplos típicos de ambientes aquáticos com ótima ‘saúde ambiental’. Os resultados dos estudos indicam que os córregos preservam características ecológicas de ambientes praticamente livres de influência antrópica.
O uso de bioindicadores
Os inacroinvertebrados betônicos têm sido comumente utilizados como bioindicadores de qualidade de água devido a sua sensibilidade á poluição, a mudança no hábitat e alterações no ambiente. Algumas características desses organismos são ciclo de vida com duração mais longa do que a maioria dos organismos aquáticos; tamanho de corpo relativamente grande e facilidade de amostragem no campo. Essas particularidades facilitam seu estudo, ajudando os limnólogos a associa- lãs à qualidade do ambiente onde vivem.
A diversidade nos rios
Um dos fatores relevantes na avaliação da diversidade de habitats aquáticos é a existência de produtores primários autóctones, que são os responsáveis por converter a energia luminosa em energia de ligações químicas, e por isso formam a base das cadeias alimentares aquáticas.
Estratégicas de vida
A manutenção do número de indivíduos nas populações de insetos aquáticos deve – se a colonização que ocorre por meio de dois processos principais: vôo compensatório – quando as fêmeas voam á montate para colocar seus ovos – ou quando as larvas nadam rio acima, em direção aos locais onde nasceram. Tais processos são especialmente eficazes para manter as populações em regiões de cabeceiras de rios.
A alta riqueza de espécies nos córregos e rios na serra do Cipó pode estar relacionada a uma menor disponibilidade de nichos, resultando em interações mais intensas como competição, predação e parasitismo.
Os estudos que desenvolvidos nos córregos e riachos na serra do cipó têm buscado diferentes abordagens, metodologias e enfoques para a avaliação da diversidade da s comunidades de macroinvertebardos bentônicos e sua relação co o meio em que vivem.
Fonte Bibliográfica
Ciência Hoje, vol 31 nº 182, maio de 2002, pag.68 á 71.
